Esse blog é resultado do trabalho realizado no Estágio de Oficina, coordenado pela professora Vânia Vasconcelos e desenvolvido pela turma do 6º semestre de História da UNEB / Campus V, em 2009.2. A criação de um espaço de socialização das produções das oficinas visa proporcionar a troca de experiências com diferentes metodologias que possibilitem o aprendizado dos mais diversos temas da História.

Convidamos você a navegar por essas imagens e idéias na perspectiva de construir alternativas para o ensino da História. Comente, critique, sugira... enfim... participe!

Pesquisar este blog

terça-feira, 30 de março de 2010

OFICINA: MORALIDADES E SEXUALIDADES NO BRASIL COLÔNIA (XVI-XVIII)


ORGANIZADORAS: FLÁVIA SANTOS DE OLIVEIRA

JAQUELINE DOS SANTOS RIBAS


Jaqueline dos Santos Ribas[1]


Posso afirmar que a oficina de Estágio Supervisionado III realizada na escola Lídio Santos no período de 16 a 20 de novembro de 2009, foi uma experiência inigualável, mesmo acostumada a lecionar a disciplina História há algum tempo, pois esta nos levou a conteúdos importantes e várias leituras diferentes das costumeiras para definirmos o tema: “Moralidades e Sexualidade no Brasil Colônia (Séc.XVI - XVIII)”.

O tema escolhido é interessante para os jovens, pois o ensino-aprendizagem de história não é só estudar o passado, mas interpretar o modo de viver de cada sociedade mostrando sua evolução e diversidade permitindo um melhor entendimento de conceitos, atitudes e posturas, observando as permanências e rupturas do mundo no qual vivemos. Desta maneira, a oficina favoreceu a formação de indivíduos capazes de ter um senso-crítico, de fazer suas “leituras” de construir conceitos, enfim, de conhecer e analisar a história.

Desde a busca pelo nosso público alvo foram alunos de escolas públicas do município de Mutuípe tivemos resistência na inscrição quanto à aceitação da temática, talvez pelas concepções distorcidas sobre a sexualidade, moralidade, religião, enfim, a visão da disciplina História no cotidiano, esta conhecida por muitos de forma tradicional, sem problematizações, com memorização de datas e nomes de “heróis”, mas com diálogo conseguimos confirmação e participação.

Estes oficinandos trouxeram para a minha formação contribuição de grande valia pelo seu senso crítico, sua visão aplausível, não preconceituosa e seu companheirismo. Em vários momentos faziam perguntas e davam sugestões que exigiam de nós conhecimento profundo do conteúdo, mas com grande atenção e confiança no referencial teórico estudado e orientação conseguimos responder a altura. O nosso trabalho foi bastante rico em dados vinculados a documentos da época, vídeos, iconografias, músicas e muito mais.

É fundamental ressaltarmos que tivemos cuidado ao tratar da temática para não cometermos equívocos, além de levarmos informações por meios atraentes para que nossos oficinandos gostassem de estar todos os dias no nosso encontro e principalmente da disciplina História. Creio que foram momentos inesquecíveis com várias atividades voltadas para a reflexão e a prática do ensino de história que certamente estarão guardados na memória de todos e ao longo de nossa vida profissional.


[1] Aluna do 6º semestre do Curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus V, ministrante da Oficina de História. "Moralidades e Sexualidades no Brasil Colônia” (Séc. XVI-XVIII), Coordenada pela Professora de Estágio Vânia Vasconcelos. (2009.2)



Flávia Santos de Oliveira[1]


Nossa proposta de trabalho se ateve à análise das moralidades e sexualidades coloniais considerando-se as mediações existentes entre as estruturas mais gerais do universo colonial e as expressões do privado no seu cotidiano. Tivemos como público alvo alunos do ensino médio de escolas públicas do município de Mutuípe, no estado da Bahia . A oficina foi realizada no período de 16 a 20 de novembro de 2009, na Escola Lídio Santos, também no município de Mutuípe.

Tratar das moralidades e sexualidades no Brasil Colônia, sem dúvida alguma, foi extremamente desafiador. A começar pelas incertezas relacionadas à escolha do tema, não saber quais impressões e expectativas que os alunos trariam frente à proposta da oficina foi para mim, particularmente, muito angustiante. Considerando-se ainda que muitos desses alunos trouxessem pré-concepções acerca do ensino de História , tal como a associação deste à memorização de datas, personagens e acontecimentos históricos, nos trouxe ainda mais apreensão.

Procuramos, dessa maneira, utilizar de vários recursos a fim de favorecer a dinamização do conteúdo, e conseqüentemente a construção da aprendizagem. Ao longo de toda a oficina, trabalhamos com fontes variadas: músicas, filmes, poesias, reportagens, iconografias, textos teóricos de autores diversos, entrevistas publicadas em revistas, dentre outras. Na democratização do conhecimento trabalhado, ficou explícita a interação entre todos os participantes do processo de ensino- aprendizagem, de modo a ficar clara a importância da valorização das potencialidades e das diferentes percepções dos alunos diante do conhecimento histórico.

Nos limites da nossa proposta de trabalho, pudemos identificar e melhor conhecer a população colonial, atentando para a multiplicidade de povos, costumes e hierarquias aí existentes, bem como reconhecer as transformações e continuidades remanescentes no que se refere ao imaginário sexual, desde muito tempo, associado aos brasileiros e brasileiras.

Após a efetivação da oficina, sinto-me com o dever cumprido, pois , apesar de saber que muito ainda pode ser aprimorado, tenho a certeza de que a percepção dos alunos em torno do tema discutido e, de maneira mais ampla, em torno do ensino e das aulas de História, foi de alguma forma modificada ao diferenciarmo-nos do "convencional". No mais, ao trabalharmos com as moralidades e sexualidades coloniais utilizando-se de diferentes subsídios pudemos , de certa forma, romper com um projeto escolar excludente valorizando, de forma integral, as experiências vivenciadas pelos jovens participantes, respeitando as diversidades presentes nessas experiências, e abrindo espaço para um ensino e aprendizagem diferenciados.

[1] Aluna do 6º semestre do curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) _ Campus V, apresentando um relatório final como requisito de avaliação da disciplina Estagio II ministrada pela professora Vânia Vasconcelos (2009.2).


Cartaz de Divulgação

Conteúdos Trabalhados:


- O viver em colônias;

- O Santo Ofício nos domínios da moral;

- Condutas morais e sexuais na colônia;

- Sexualidades coloniais e vida privada;

- Miscigenação, famílias e hierarquias sociais;

- Costumes e Leis - A importância do casamento;

- Sodomia e Homossexualidade;

- Imagens da mulher no Brasil Colônia;

- Relações de poder e sexualidade no Brasil Colônia;

- Moralidades e Sexualidades no Brasil Contemporâneo.


Iconografias Utilizadas

















Fontes:

Priore .Mary Del. História das Mulheres no Brasil. 7ª ed. São Paulo: Contexto, 2004.

_________________. Mulheres no Brasil Colônia.São Paulo:Contexto, 2000.

Suportes utilizados para a discussão dos conteúdos propostos:













Fontes: Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia (Gregório de Matos)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u182.shtml

Sexo: energia que dá sabor à vida. Mundo Jovem. Novembro de 2006.n. 372.

www.fafichi.ufmg.br/pae


Principais momentos da oficina

Crachás

Iconografias analisadas

Oficinandos

Documentário exibido "O Brasil Colônia" por Bóris Fausto

Oficinandos

Dinâmica "O Trêm"

Dinâmica "Desenho dos pés"

Discussão realizada no dia 20 de novembro a respeito da situação do negro no Brasil

Explanação do tema "Condutas morais e sexuais no Brasil Colônia"

Entrega de certificados

Entrega de certificados

Oficinandos, oficineiras e Profª orientadora Vânia Vasconcelos

Temáticas discutidas

Materiais exibidos

Episódio Gente Colonial

Meados do século XVI: a convivência dos colonos portugueses com as nativas. O conflito entre a Igreja e a realidade familiar que se formava, a chegada das primeiras européias e as relações cotidianas da Colônia mostradas num tom bem humorado.

Gente Colonial. Episódio do Brasil 500 anos: O Brasil Colônia na TV. Produzido pela TV Escola.1 DVD 00h16min

Caramuru - A invenção do Brasil

Tem como trama principal a história de Diogo Álvares, artista portugues responsável por uma das lendas que povoam o imaginário brasileiro - a do Caramuru . Relata de forma humorística o contato entre as culturas branca e índigena não deixando de ser, contudo, uma excelente ferramenta para o estudo das relações inter - étnicas empreendidas no Brasil Colonial.

*Caramuru - A invenção do Brasil. Direção: Guel Arraes. Brasil:Columbia, 2001.1DVD.01 h 25 min.

Minissérie A Muralha

Retrata o Brasil setecentista incluindo os conflitos ocasionados pelo impacto da colonização européia e das relações cometidas a partir desta.

*A Muralha. Direção: Denise Sarraceni e Carlos Araújo. Brasil: Rede Globo de Televisão, 2000. DVD. 51 capítulos.


Reportagem da estudante Geyse Arruda

Reportagem Tv IG 2009.


Clique nos links abaixo e veja frente e verso do folder:

Parte Interna


Nenhum comentário:

Postar um comentário