Esse blog é resultado do trabalho realizado no Estágio de Oficina, coordenado pela professora Vânia Vasconcelos e desenvolvido pela turma do 6º semestre de História da UNEB / Campus V, em 2009.2. A criação de um espaço de socialização das produções das oficinas visa proporcionar a troca de experiências com diferentes metodologias que possibilitem o aprendizado dos mais diversos temas da História.

Convidamos você a navegar por essas imagens e idéias na perspectiva de construir alternativas para o ensino da História. Comente, critique, sugira... enfim... participe!

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quarta-feira, 31 de março de 2010

CULTURA POPULAR DO SERTÃO NORDESTINO: MITOS E LENDAS DA HISTÓRIA DO CANGAÇO

Oficina realizada pelas discentes

Ana cecilia e Gracilene

De: 16 á 20 de novembro de 2009

Local: Escola Municipal Luiz Eduardo Magalhães

Orientação: profª Vânia Vasconcelos





Cartaz de Divulgação


ANA CECILIA DE ARAÚJO

A realização da oficina “Cultura popular do sertão nordestino: lendas e mitos da história do cangaço” foi um grande desafio e constituiu uma parte importante da minha formação profissional. Desde o momento da construção do projeto até a escolha dos materiais que foram utilizados na oficina, refleti sobre o meu papel como futura professora de história e como ministrar este ofício que requer muita dedicação e responsabilidade, afinal, irei trabalhar com o desenvolvimento educacional dos alunos ao longo do seu processo de estudos.

Um dos objetivos da nossa oficina foi proporcionar aos alunos um estudo em que incentivasse aos mesmos a discutir e problematizar o tema proposto pela oficina, por este motivo, a partir da incorporação de metodologias diferenciadas, vinculamos o tema “cultura popular (lendas e mitos)” à história do cangaço destacando a sua importância para a história do povo pertencente ao sertão nordestino.

Durante as discussões com os alunos foi possível perceber que apesar das questões sobre à cultura popular, referir-se a um tema de diversas definições, a concepção dos alunos sobre a mesma estava muito bem formada, estes deram exemplos claros de que esta fazia parte de seu cotidiano e “representava a diversidade e as manifestações de cada grupo de pessoas”. Além disso, os alunos demonstraram interesse pela temática, contribuíram significativamente em vários momentos, principalmente nas atividades em grupo. Como os alunos já estavam estudando a Primeira República no Brasil, estes utilizaram as abordagens e discussões da oficina em sala de aula, colaborando com as discussões que estava sendo desenvolvidas sobre o assunto destacando assim, a importância da história do cangaço a trajetória de vida de Lampião, Maria Bonita o seu bando e a sua atuação durante o período republicano.

Isto demonstra o quanto é necessária e importante um ensino de História diferenciado, que desperte o interesse dos alunos e os incentivem a questionar os conteúdos propostos em sala de aula, neste quesito acredito que em partes a nossa oficina pode oferecer este suporte aos alunos colaborando desta maneira no processo de ensino/aprendizagem dos discentes. Esta discussão é de suma importância, pois, demonstra uma das responsabilidades de um (a) professor (a), que não se limita apenas à ação de educar, mas sim preparar e estimular os alunos a construir um novo olhar sobre determinados conteúdos históricos estudados. Conforme Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mais criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1997, p.25), a partir desta concepção de Freire pode-se afirmar que a realização de oficinas, mini-cursos ou qualquer outra atividade de cunho educativo pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de um ensino de história que ofereça novas possibilidades de estudo aos alunos, e acredito que estas possam ser muito bem utilizadas em sala de aula pelos docentes.

Assim, a realização da oficina foi uma boa experiência, pois, tive oportunidade de ter contato com os alunos, de observar as suas necessidades e principalmente, de consegui em pouco tempo o respeito destes, os quais nos relataram que estavam satisfeitos com o resultado da oficina e que haviam gostado da experiência. Enfim, mesmo a oficina “Cultura popular do sertão nordestino: lendas e mitos da história do cangaço” tenha apresentado alguns momentos de dificuldades, foi possível cumprir o seu objetivo que era contribuir com o processo de aprendizagem dos alunos e, sobretudo incentivá-los a ter mais interesse pela disciplina História.




Gracilene Coelho

A realização da oficina de estágio intitulada de “Cultura Popular do Sertão Nordestino: Lendas e Mitos da História do Cangaço” foi uma experiência muito agradável. Através do mesmo, pode perceber a importância do ato de planejar na vida de um educador e o meu papel como educadora no processo de ensino – aprendizagem, adquirindo novas experiências a partir dos erros e acertos na elaboração e execução da oficina.

Durante o processo de elaboração da oficina, o nosso principal objetivo era analisar a História do Cangaço, através de um novo olhar historiográfico. Partindo do pressuposto que o Cangaço foi uma manifestação cultural popular do homem e mulher do sertão, portanto a principal preocupação da oficina foi realizar a discussão de alguns conceitos como: cultura, cultura popular, mitos, lendas, sertão, sertanejo entre outros. Com o intuito de analisar como tais conceitos estão representados na historiografia e presente no pensamento dos alunos.

Uma das propostas também da oficina, foi à produção de matérias didática a serem utilizados na sala de aula sobre a temática em estudo, demonstrando novas perspectivas de se compreender o ensino de história através da realização de novas maneiras de produzir e adquirir conhecimentos. Durante a oficina os alunos criaram jogos, paródias, história em quadrinhos demonstrando novas maneiras didáticas de se conhecer a história do Cangaço.

A oficina foi realizada em uma escola pública da rede municipal de ensino do município de Santo Antônio de Jesus, durante uma semana, com os alunos da 8ª série do Ensino Fundamental. Através da realização da oficina pode compreender que o planejamento ele deve ser flexível e adaptado de acordo a realidade do aluno. Portanto, posso concluir afirmando que a oficina foi de grande relevância para a minha vida acadêmica e como educadora.









“[...] está longe de ser um conceito bem definido pelas ciências humanas, [...] são muitos os seus significados e bastante heterogêneos e variáveis os eventos que essa expressão recobre”

(ARANTES, Antônio Augusto, 2004,p.7)

“ O termo “Cultura popular” dá uma falsa impressão de homogeneidade seria melhor usá-lo no plural, ou substituí-lo por uma expressão como a “cultura das classes populares”

(BURKE, Peter, 1989,p.235)

“ A cultura das classes dominantes e a das classes subalternas, existe um relacionamento circular feito de influências recíprocas, podendo mover-se de baixo para cima, bem como de cima para baixo. Para este relacionamento criou-se o termo “circularidade

(GINZBURG, Carlos, 1987,p.16)


















FONTE: NETO, PAULO CARVALHO. DICIONÁRIO DE TEÓRIA FOLCLÓRICA. GUATEMALA: EDITORA UNIVERSITÁRIA,SÃO PAULO, 1977.


LENDA DO SERTÃO NORDESTINO


VAQUEIRO VOADOR



RESUMO: Havia uma cidade pequena, porém muito bonita. Era um lugar próspero, de fazendeiros, de vida feliz e sossegada. Certa manhã, um bando de cangaceiros chegou de repente ao lugar. Foi um alvoroço. Num instante, a população desapareceu das ruas. As janelas se fecharam e as portas se trancaram. O chefe dos cangaceiros bateu na porta da casa mais rica da cidade. Como não tinha outro jeito, o dono da casa veio saber o que ele desejava. - Nós não queremos fazer mal a ninguém, disse o chefe dos cangaceiros. Estamos precisando de mantimentos e sabemos que aqui há bastante. O fazendeiro prometeu que conversaria com outros homens ricos do lugar, a fim de conseguir a quantidade que o cangaceiro desejava. O cangaceiro concordou em esperar até o dia seguinte. Porém o fazendeiro não cumpriu com a sua promessa e os cangaceiros acabaram levando um de seus filhos chamado de Lucídio. Seu outro filho chamado de Deodalto se tornou um grande vaquiero, sua fama correu por todas as regiões do sertão. Certo dia Deodalto teve um sonho onde um vaqueiro lhe confiava o seu cavalo mágico no qual não “ corria mais voava”. Devido as suas habilidades recebeu a proposta de seu pai para atacar o acampamento dos cangaceiros e para sua surpresa seu irmão era o chefe do bando, quando capturado por Deodalto , Lucídio conta a sua história e assim os dois virão o quanto eram parecidos e tinham vivenciado a mesma história. Como Lucídio jamais tinha assassinado alguém e também não era culpado por ser cangaceiro, foi perdoado pelos assaltos cometidos. Seu pai percebeu-lhe uma forte vocação para comandar e administrar e lhe entregou os destinos da fazenda. Administrada por ele e com um vaqueiro como Deodato, a fazenda tornou-se ainda mais importante. E, a cidade nunca mais foi atacada.

FONTE: Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). - São Paulo: APEL Editora, sem/data Dicionário do Folclore Brasileiro / Câmara Cascudo .- Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A. sem data.


MITO DO SERTÃO NORDESTINO


SERTÃO DO BOI SANTO



Vindo de Juazeiro, apareceu pelos sertões o beato Zebedeu. Preto, alto, muito esperto, conduzia um boi, tendo atrás penitentes, retirantes, mulheres e crianças. O boi era zebu e estava enfeitado de fitas e flores. Excitado e majestoso, igual a um Moisés caboclo, conduzindo seu povo, o beato preto avançava pelas caatingas, tangendo com sua vara santa o boi santo, já de fama afamado. Ao subir encostas, Zebedeu fazia parar seu bando, deitando falação ao povo: - Foi num tempo de seca barba; o verdor dos pastos havia desaparecido e eu fui dar a esse boi uma ração roubada dos pastos de meu padrinho Padre Cícero. Roubei o capim porque via que o meu boi sofria, mascando a língua com fome. Corri para furtar um capim mais mimoso, daqueles que só os veados comem, na manga particular do meu padrinho, a única, que nesse tempo tinha capim verde. De noite peguei um feixe e quando na manhã seguinte fui oferecer a ração ao boi, ele a recusou, batendo os cascos e balançando a cabeça. Parecia dizer que não comia capim roubado, ainda mais sendo dos pastos do seu dono. Desde então eu nas virtudes milagreiras desse boi acreditei... Assim a fama desse beato negro, Chamado Zebedeu com seu boi santo Mansinho espalhou-se pelos sertões de quatro Estados. Vieram mil romeiros, conduzindo cabras, jumentos, criações de pequena monta. Todos atrás dos milagres propagados. Colocaram o boi numa manjedoura, passando a adorá-lo como a um santo. O excremento do boi era vendido e dos seus chifres eram tirados lascas para se fazer chá. Do excremento do boi o povo dizia:- É remédio divino, remédio que cura ligeiro.Da sua urina, porções eram guardadas em garrafas, relíquia de valor, pela qual as mulheres brigavam, pedindo as garrafadas pelo "Santo Amor"...

FONTE: http://www.rosanevolpatto.trd.br/lenda1.htm



Outros CONTEÚDOS ABORDADOS


1- A República Velha: período de transformações políticas, econômicas, sociais e culturais no sertão nordestino.

2- Atuação dos cangaceiros, cangaceiras e coronéis na região do sertão nordestino, a partir de uma abordagem de gênero.

3- O surgimento e a formação dos mitos em torno do Cangaço.


COMO AS ATIVIDADES FORAM DESENVOLVIDAS


Vídeo a República Velha (Boris fausto)



EXIBIÇÃO DO FILME

BAILE PERFUMADO


RESUMO

Homem de confiança de Padre Cícero, o fotógrafo árabe Benjamin Abrahão, parte de Juazeiro, no Ceará, nos anos 30, para levantar recursos e filmar Lampião e seu bando. Graças à sua habilidade para estabelecer contatos, Benjamim localiza o cangaceiro e registra o cotidiano do grupo. O filme, no entanto, é proibido pela ditadura do governo de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo.


FICHA TÉCNICA

Titulo original: (Baile Perfumado)

Lançamento: 1997 (Brasil)

Direção: Paulo Caldas, Lírio Ferreira

Atores: Duda Mamberti, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Jofre Soares

Duração: 93 min

Gênero: Drama


A contribuição da Literatura de cordel para o ensino de história: Lampião, Maria Bonita e o seu Bando



CORDÉIS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES REALIZADAS








Análise das imagens de Lampião, Maria Bonita e o seu bando







LAMPIÂO, MARIA BONITA, SEU BANDO E O SERTÃO ATRAVÉS DA MÚSICA.

MÚSICAS ANALISADAS COM OS ALUNOS


· Mulher rendeira ( Elba Ramalho)

· Lampião falou ( Luiz Gonzaga)

· O cordel estradeiro ( Cordel do fogo encantado)


Galeria de fotos




















REPRESENTAÇÕES DAS MULHERES NEGRAS DO BRASIL


UNEB - Universidade do Estado da Bahia - Campus V

OFICINA - TODA BOA: NA CAMA E NA COZINHA?

Representações das Mulheres Negras do Brasil.

Mutuípe /Ba - 16 a 20 de novembro de 2009


Quando pensamos nas representações sobre as mulheres negras e suas realidades específicas na sociedade brasileira, é fácil percebermos como as identidades estão diluídas nas representações dominantes construídas sobre as “mulheres” em geral. Nesse contexto as mulheres negras aparecem para servir a mesa e a cama, arrumar a casa e desaparecem.

As diversas representações da mulher negra brasileira, assim como seu lugar na sociedade, demonstram que a participação do afro-brasileiro como figura histórica e social é amplamente relegada. As mulheres negras fazem parte de um contingente de mulheres que não são rainhas de nada, que são retratadas como antimusas da sociedade brasileira, porque o modelo estético de mulher é a mulher branca.

Esta oficina proporcionou momentos de construção de um novo olhar sobre o passado, compreendendo as mudanças e permanências das representações das mulheres negras na nossa sociedade, e contribuiu para uma reflexão critica a "invisibilidade" das mulheres negras e os estereótipos lhes atribuídos, levando ao reconhecimento de suas contribuições na formação de nossa identidade.


Maria Vilma Moreira Rodrigues [1]

A escolha da temática “Representações das Mulheres Negras do Brasil” nasceu das discussões sobre mulheres que tivemos na Universidade ao longo dos semestres anteriores, nesse sentido, penso que falar das Mulheres Negras do Brasil com a perspectiva de mostrar a sua história desde o século XIX aos dias atuais constitui uma experiência relevante, pois, é notável um grande distanciamento dessas discussões nas escolas públicas de Ensino Médio.

Na perspectiva de levantar discussões que levasse os alunos a pensar criticamente a história das mulheres negras do Brasil ao longo do tempo, a Oficina Pedagógica “Representações das Mulheres Negras do Brasil” veio com o propósito de colaborar significativamente para a formação de cidadãos críticos e reflexivos.

Durante a execução de toda a oficina proporcionamos aos nossos alunos momentos de reflexão crítica diante da temática que estávamos discutindo, por se tratar de um tema bastante polêmico “Representações de mulheres negras no Brasil”, e por ser uma oficina destinada ao público de ensino médio, tivemos ricas discussões, vários questionamentos, enfim, a temática conseguiu empolgar a todos proporcionando uma discussão coletiva, um espaço em que todos tinham voz para levantar suas idéias e dar opiniões.

Partindo da perspectiva freiriana de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas sim, criar as possibilidades para produção / construção desse conhecimento”. (FREIRE,1997, p.25). Entendo que o resultado final da oficina foi surpreendente e satisfatório, pois, foi proporcionado durante todos os encontros com os alunos, momentos de construção, um espaço de “ação- reflexão e ação”, enfim, propomos aos nossos alunos um ambiente crítico e transformador.

Compreendo que em todo trabalho há pontos positivos e negativos, o nosso não foge essa regra. Certo de que a avaliação é essencial para reavaliar toda ação pedagógica, e, diante disto se pensar em novos meios para promover uma educação de qualidade. Entendo que houve momentos de falhas durante a execução da oficina pedagógica, foi possível notar o quanto deveríamos ter lido mais, ter nos preparado mais, sobretudo, porque a nossa temática é bastante polêmica e apresenta várias possibilidades de abordagens. Vale salientar que a Oficina Pedagógica de História foi uma experiência relevante para minha vida profissional no sentido de oportunizar a reflexão crítica sobre a minha prática docente em sala de aula.

[1] Aluna do 6º semestre do curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) _ Campus V, apresentando um relatório final como requisito de avaliação da disciplina Estagio II ministrada pela professora Vânia Vasconcelos (2009.2).


Rosane Santos Silva [1]

A escolha da temática “Representações das Mulheres Negras do Brasil” para ministrar uma Oficina de História teve tudo a ver com a minha experiência enquanto mulher, negra e cidadã. Enquanto estudante de História percebi que ao longo da nossa história as mulheres negras sempre desempenharam um papel de coadjuvante, situação que reflete as questões de gênero, e se tratando das mulheres negras, também de raça.

Então vi nessa oficina que para mim foi muito mais que uma obrigação do cumprimento da carga horária do Estágio, e sim uma oportunidade de discutir com os alunos do Ensino Médio de Mutuípe um pouco da história que nos foi apresentada, buscando refletir e desconstruir alguns estereótipos e preconceitos relacionados às mulheres negras no decorrer da História do Brasil. Nessa perspectiva, perceber a presença, importância, força e lutas travadas por essas mulheres na construção de suas identidades, lançando um olhar todo especial nas mudanças e permanências nas formas como essas mulheres negras vem sendo representadas ao longo da nossa história.

Essa Oficina que foi intitulada - “Toda boa: na cama e na cozinha? – foi uma experiência maravilhosa tanto no sentido de ser um exercício da prática docente, quando no que se refere a aprendizagem. As leituras foram muito interessantes e com certeza enriqueceram os meus conhecimentos, dando-me oportunidade de dialogar com inúmeros conceitos antes desconhecidos e que são muito importante para o oficio do historiador.

Porém o que mais me chamou atenção com esse trabalho foi a percepção de que a educação no Brasil ainda tem jeito. Foi muito interessante ver o entusiasmo, a dedicação, compromisso, participação, freqüência e interesse dos alunos durante a oficina, me senti realizada enquanto profissional de educação, e impressionada com o nível das discussões travadas, além de muito feliz ao ver que os alunos gostaram da temática e as metodologias desenvolvidas ao longo do trabalho.

A postura crítica, o poder de argumentação dos alunos, todos oriundos da escola pública foi algo que me surpreendeu muito, levando a concluir que a didática do professor interfere de forma decisiva no processo ensino-aprendizagem.

Esse trabalho me fez reforçar a idéia de que o papel do professor de História extrapola o conteúdo de sua disciplina, levando-o à condição de mestre e de aprendiz. Assim, buscar transformar os nossos métodos e a nossa forma de pensar, é talvez o primeiro passo para se modificar verdadeiramente o ensino no Brasil, conquistando autonomia entre os seus profissionais, em especial os de História.

Enfim, essa Oficina foi uma experiência ímpar em minha vida, e me deixou bastante realizada. O fato desta ter sido ministrada em Mutuípe também foi positivo para o sucesso da mesma, uma vez que me possibilitou contribuir um pouco com a construção dos conhecimentos dos meus conterrâneos e levar um pouco do que aprendemos na universidade para o dia-a-dia fora da academia.


[1] Aluna do 6º semestre do Curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus V, ministrante da Oficina de História “Toda boa: na cama e na cozinha” – Representações das Mulheres Negras do Brasil. Coordenada pela Professora de Estágio Vânia Vasconcelos. (2009.2)


Jaqueline dos Santos Ribas[1]


Posso afirmar que a oficina de Estágio Supervisionado III realizada na escola Lídio Santos no período de 16 a 20 de novembro de 2009, foi uma experiência inigualável, mesmo acostumada a lecionar a disciplina História há algum tempo, pois esta nos levou a conteúdos importantes e várias leituras diferentes das costumeiras para definirmos o tema: “Moralidades e Sexualidade no Brasil Colônia (Séc.XVI - XVIII)”.

O tema escolhido é interessante para os jovens, pois o ensino-aprendizagem de história não é só estudar o passado, mas interpretar o modo de viver de cada sociedade mostrando sua evolução e diversidade permitindo um melhor entendimento de conceitos, atitudes e posturas, observando as permanências e rupturas do mundo no qual vivemos. Desta maneira, a oficina favoreceu a formação de indivíduos capazes de ter um senso-crítico, de fazer suas “leituras” de construir conceitos, enfim, de conhecer e analisar a história.

Desde a busca pelo nosso público alvo foram alunos de escolas públicas do município de Mutuípe tivemos resistência na inscrição quanto à aceitação da temática, talvez pelas concepções distorcidas sobre a sexualidade, moralidade, religião, enfim, a visão da disciplina História no cotidiano, esta conhecida por muitos de forma tradicional, sem problematizações, com memorização de datas e nomes de “heróis”, mas com diálogo conseguimos confirmação e participação.

Estes oficinandos trouxeram para a minha formação contribuição de grande valia pelo seu senso crítico, sua visão aplausível, não preconceituosa e seu companheirismo. Em vários momentos faziam perguntas e davam sugestões que exigiam de nós conhecimento profundo do conteúdo, mas com grande atenção e confiança no referencial teórico estudado e orientação conseguimos responder a altura. O nosso trabalho foi bastante rico em dados vinculados a documentos da época, vídeos, iconografias, músicas e muito mais.

É fundamental ressaltarmos que tivemos cuidado ao tratar da temática para não cometermos equívocos, além de levarmos informações por meios atraentes para que nossos oficinandos gostassem de estar todos os dias no nosso encontro e principalmente da disciplina História. Creio que foram momentos inesquecíveis com várias atividades voltadas para a reflexão e a prática do ensino de história que certamente estarão guardados na memória de todos e ao longo de nossa vida profissional.



[1]Aluna do 6º semestre do Curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus V, ministrante da Oficina de História. "Moralidades e Sexualidades no Brasil Colônia” (Séc. XVI-XVIII), Coordenada pela Professora de Estágio Vânia Vasconcelos. (2009.2)


Laíze Rebouças[1]

A Oficina nos possibilita refletir criticamente sobre a nossa prática pedagógica enquanto futuros professores de história, visto que, desde a construção do projeto a sua execução temos a autonomia de escolher o conteúdo a ser tematizado e as metodologias a serem aplicadas, sobretudo, temos a oportunidade de manter um contato direto com os alunos. Nesse sentido, procuramos organizar o processo de ensino-aprendizagem diante da nossa realidade, algo que atraísse o público de tal forma que encontrasse significado no conteúdo a ser estudado e se interessasse pelo tema da oficina. Assim, escolhemos discutir sobre “As representações das mulheres negras do Brasil”, a fim de problematizar as questões de gênero e raça. Dessa forma, a maioria dos participantes da nossa oficina era mulheres negras.

Nessa perspectiva, buscamos metodologias que pudessem enriquecer o ensino, tornando-o instigante. Além disso, procurávamos sempre partir do conhecimento prévio do aluno, pois dessa forma, os alunos se sentiam estimulados a falar e a refletir sobre as suas percepções e experiências, uma vez que, compreendemos que no processo de ensino e aprendizagem, o aluno deve ser estimulado, a pensar, a questionar, a investigar, a desenvolver o espírito crítico e a capacidade de interpretação. Inclusive, a participação dos alunos foi algo que nos maravilhou, tanto pelo nível, quanto pelo entusiasmo com que estes participavam, facilitando assim, o bom desenvolvimento da oficina.

O Estágio Supervisionado, portanto, foi uma experiência desafiadora, na qual, tivemos a oportunidade de utilizar as ferramentas que foram nos apresentadas durante os outros semestres. Além disso, foi uma etapa de superação e aprendizagem, em que a cada instante foi possível perceber as dificuldades e os contentamentos na missão de um/a educador/a na tentativa de formar cidadãos autônomos, responsáveis pela ação, transformação e compreensão da sociedade.


[1] Aluna do 6º semestre do Curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus V, ministrante da Oficina de História “Toda boa: na cama e na cozinha” – Representações das Mulheres Negras do Brasil.Coordenada pela Professora de Estágio Vânia Vasconcelos. (2009.2)





Canções utilizadas para análise


Racismo É Burrice

Gabriel Pensador

Composição: Gabriel O Pensador


Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano

"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"

Racismo, preconceito e discriminação em geral;

É uma burrice coletiva sem explicação

Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união

Mas demonstra claramente

Infelizmente

Preconceitos mil

De naturezas diferentes

Mostrando que essa gente

Essa gente do Brasil é muito burra

E não enxerga um palmo à sua frente

Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente

Eliminando da mente todo o preconceito

E não agindo com a burrice estampada no peito

A "elite" que devia dar um bom exemplo

É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento

Num complexo de superioridade infantil

Ou justificando um sistema de relação servil

E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação

Não tem a união e não vê a solução da questão

Que por incrível que pareça está em nossas mãos

Só precisamos de uma reformulação geral

Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil

Não seja um ignorante

Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante

O quê que importa se ele é nordestino e você não?

O quê que importa se ele é preto e você é branco

Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços

Se você discorda, então olhe para trás

Olhe a nossa história

Os nossos ancestrais

O Brasil colonial não era igual a Portugal

A raiz do meu país era multirracial

Tinha índio, branco, amarelo, preto

Nascemos da mistura, então por que o preconceito?

Barrigas cresceram

O tempo passou

Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor

Uns com a pele clara, outros mais escura

Mas todos viemos da mesma mistura

Então presta atenção nessa sua babaquice

Pois como eu já disse racismo é burrice

Dê a ignorância um ponto final:

Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão

Trabalhador da construção civil conhecido como peão

No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia

É revistado e humilhado por um guarda nojento

Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós

Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói

O preconceito é uma coisa sem sentido

Tire a burrice do peito e me dê ouvidos

Me responda se você discriminaria

O Juiz Lalau ou o PC Farias

Não, você não faria isso não

Você aprendeu que preto é ladrão

Muitos negros roubam, mas muitos são roubados

E cuidado com esse branco aí parado do seu lado

Porque se ele passa fome

Sabe como é:

Ele rouba e mata um homem

Seja você ou seja o Pelé

Você e o Pelé morreriam igual

Então que morra o preconceito e viva a união racial

Quero ver essa música você aprender e fazer

A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista

É o que pensa que o racismo não existe

O pior cego é o que não quer ver

E o racismo está dentro de você

Porque o racista na verdade é um tremendo babaca

Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca

E desde sempre não pára pra pensar

Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar

E de pai pra filho o racismo passa

Em forma de piadas que teriam bem mais graça

Se não fossem o retrato da nossa ignorância

Transmitindo a discriminação desde a infância

E o que as crianças aprendem brincando

É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando

Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica

Ninguém explica

Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural

Todo mundo que é racista não sabe a razão

Então eu digo meu irmão

Seja do povão ou da "elite"

Não participe

Pois como eu já disse racismo é burrice

Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal

É hora de fazer uma lavagem cerebral

Mas isso é compromisso seu

Eu nem vou me meter

Quem vai lavar a sua mente não sou eu

É você.


Em 1979, Caetano Veloso lançava, no disco Cinema Transcendental, a canção "Beleza Pura", que talvez não seja um marco histórico, mas é representativa da construção de uma nova baianidade que emerge calcada na etnicidade.


Beleza Pura

Skank

Composição: Caetano Veloso


Não me amarra

Dinheiro não

Mas formosura

Dinheiro não

A pele escura

Dinheiro não

A carne dura

Dinheiro não

Moça preta

Do Curuzu

Beleza pura

Federação

Beleza pura

Boca do rio

Beleza pura

Dinheiro não

Quando essa preta

Começa a tratar

Do cabelo

É de se olhar

Toda trama da trança

Transa do cabelo

Conchas do mar

Ela manda buscar

Prá botar no cabelo

Toda minúcia

Toda delícia

Não me amarra

Dinheiro não

Mas elegância

Não me amarra

Dinheiro não

Mas a cultura

Dinheiro não

A pele escura

Dinheiro não

A carne dura

Dinheiro não

Moça linda

Do Badauê

Beleza pura

Do Ilê-Aiê

Beleza pura

Dinheiro, yeah

Beleza pura

Dinheiro não

Dentro daquele turbante

Do filho de Gandhi

É o que há

Tudo é chique demais

Tudo é muito elegante

Manda botar

Fina palha da costa

E que tudo se trance

Todos os búzios

Todos os ócios

Todos os búzios

Todos os ócios

Yeah

Não me amarra

Dinheiro não

Mas os mistérios

Não me amarra

Dinheiro não

Mas formosura

A pele escura

A carne dura

Dinheiro não

Moça preta

Do Curuzu

Beleza pura

Federação

Dentro

Daquele turbante

Do filho de Gandhi

É o que há

Tudo é chique demais

Tudo é muito elegante

Manda botar

Fina palha da costa

E que tudo se trance

Todos os búzios

Todos os ócios

Todos os búzios

Todos os ócios

Yeah

Toda minúcia

Toda delícia

Toda minúcia

Toda delícia

Todos os búzios

Todos os ócios

Todos os búzios

Todos os búzios

Todos os búzios

Os ócios


































































































Flhas do Vento aborda temas pertinentes às mulheres de qualquer parte do mundo, mas numa pequena cidade do interior do Brasil os fantasmas da escravidão e do racismo afetam a vida das personagens de forma sutil. Em uma brilhante peça ficcional de cunho político e social, o diretor substitui os tradicionais papéis estereotipados, comumente interpretados por atores negros nas telenovelas brasileiras, por uma rica e multifacetada construção de personagens, mesmo quando habilmente emprega diversos recursos da dramaturgia da novela para se comunicar com grandes audiências.






























































































































































































































































Músicas analisadas e representadas

Olhos Coloridos

Sandra de Sá

Composição: Macau


Os meus olhos coloridos

Me fazem refletir

Eu estou sempre na minha

E não posso mais fugir...

Meu cabelo enrolado

Todos querem imitar

Eles estão baratinado

Também querem enrolar...

Você ri da minha roupa

Você ri do meu cabelo

Você ri da minha pele

Você ri do meu sorriso...

A verdade é que você

(Todo brasileiro tem!)

Tem sangue crioulo

Tem cabelo duro

Sarará, sarará

Sarará, sarará

Sarará crioulo..

Sarará crioulo

Sarará crioulo...(2x)

Os meus olhos coloridos

Me fazem refletir

Que eu tô sempre na minha

Não! Não!

Não posso mais fugir

Não posso mais!

Não posso mais!

Não posso mais!

Não posso mais!

Meu cabelo enrolado

Todos querem imitar

Eles estão baratinados

Também querem enrolar...

Cê ri! Cê ri! Cê ri!

Cê ri! Cê ri!

Cê ri da minha roupa

Cê ri do meu cabelo

Cê ri da minha pele

Cê ri do meu sorriso...

Mas verdade é que você

(Todo brasileiro tem!)

Tem sangue crioulo

Tem cabelo duro

Sarará, sarará

Sarará, sarará

Sarará crioulo...

Sarará crioulo

Sarará crioulo ...(3x)



Mama África

Chico César

Composição:Chico César


Mama África

A minha mãe

É mãe solteira

E tem que

Fazer mamadeira

Todo dia

Além de trabalhar

Como empacotadeira

Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África, tem

Tanto o que fazer

Além de cuidar neném

Além de fazer denguim

Filhinho tem que entender

Mama África vai e vem

Mas não se afasta de você...

Mama África

A minha mãe

É mãe solteira

E tem que

Fazer mamadeira

Todo dia

Além de trabalhar

Como empacotadeira

Nas Casas Bahia...

Quando Mama sai de casa

Seus filhos de olodunzam

Rola o maior jazz

Mama tem calo nos pés

Mama precisa de paz...

Mama não quer brincar mais

Filhinho dá um tempo

É tanto contratempo

No ritmo de vida de mama...

Mama África

A minha mãe

É mãe solteira

E tem que

Fazer mamadeira

Todo dia

Além de trabalhar

Como empacotadeira

Nas Casas Bahia...(2x)

É do Senegal

Ser negão, Senegal...

Deve ser legal

Ser negão, Senegal...(3x)

Mama África

A minha mãe

É mãe solteira

E tem que

Fazer mamadeira

Todo o dia

Além de trabalhar

Como empacotadeira

Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África

A minha mãe

Mama África

A minha mãe

Mama África...


Toda Boa

Psirico

Pele bronzeada mulher brasileira a coisa mais

linda...chamada de avião corpo de violão a maior obra

prima... em todos os cantos do universo sim de várias

delas brilhar, fruto do pecado que o homem sempre quer

desfrutar! É uma obra divina que nasceu para nosso bem

e quem ama levante o dedo e grita!

-Amém!!!

Maravilhosa os meus elogios não são a tôa!

Você é a água que mata minha sede!

Mulher brasileira é TODA BOA!!!

Olha TODA BOA, TODA BOA ela é TODA BOA

Aiii Aiii ela é TODA BOA!!!

É TODA BOA, TODA BOA... Ela é TODA BOA!

Aiii Aiii ela é TODA BOA!!!

(TODA BOA TODA BOA TODA BOA TODA BOA TODA BOA...).

Auto estima gordinha! tá toda fofinha!

Auto estima magrinha! tá toda fortinha!

Auto estima coroa! tá toda durinha!

Auto estima negona! tá toda gatinha!

(BIS)

Mulher brasileira?

Ôooo TODA BOA!!





Estigmatizada a Bahia é caracterizada por diversos termos como a terra dos amores sem pudores, da alegria, das mulheres apimentadas, de mulatas com curvas bem definidas, amorosas, dedicadas, de sensualidade esplêndida; estes provenientes da participação de escritores e compositores, dentre eles em evidência Jorge Amado, um dos autores mais traduzidos no mundo; que coloca a figura feminina como mero objeto de consumo, produzida para atender as necessidades dos homens. Em uma de suas obras Gabriela: Cravo e Canela, ele qualifica a mulher como algo comestível, de sabor diferenciado.

Hoje muitos turistas que aqui chegam, vem atraído por estas construções de imagens, do paraíso repleto de belezas naturais, sinônimo de belas praias, sobretudo de mulheres sensuais, belíssimas que dão ênfase ao lugar de sexo fácil e barato, mediante as apresentações midiáticas, provocando por sua vez o turismo sexual; transformando a mulher baiana num produto turístico de caráter mercadológico; destacando-a como símbolo sexual místico do Brasil.