
Oficina realizada pelas discentes
Ana cecilia e Gracilene
De: 16 á 20 de novembro de 2009
Local: Escola Municipal Luiz Eduardo Magalhães
Orientação: profª Vânia Vasconcelos

ANA CECILIA DE ARAÚJO
A realização da oficina “Cultura popular do sertão nordestino: lendas e mitos da história do cangaço” foi um grande desafio e constituiu uma parte importante da minha formação profissional. Desde o momento da construção do projeto até a escolha dos materiais que foram utilizados na oficina, refleti sobre o meu papel como futura professora de história e como ministrar este ofício que requer muita dedicação e responsabilidade, afinal, irei trabalhar com o desenvolvimento educacional dos alunos ao longo do seu processo de estudos.
Um dos objetivos da nossa oficina foi proporcionar aos alunos um estudo em que incentivasse aos mesmos a discutir e problematizar o tema proposto pela oficina, por este motivo, a partir da incorporação de metodologias diferenciadas, vinculamos o tema “cultura popular (lendas e mitos)” à história do cangaço destacando a sua importância para a história do povo pertencente ao sertão nordestino.
Durante as discussões com os alunos foi possível perceber que apesar das questões sobre à cultura popular, referir-se a um tema de diversas definições, a concepção dos alunos sobre a mesma estava muito bem formada, estes deram exemplos claros de que esta fazia parte de seu cotidiano e “representava a diversidade e as manifestações de cada grupo de pessoas”. Além disso, os alunos demonstraram interesse pela temática, contribuíram significativamente em vários momentos, principalmente nas atividades em grupo. Como os alunos já estavam estudando a Primeira República no Brasil, estes utilizaram as abordagens e discussões da oficina em sala de aula, colaborando com as discussões que estava sendo desenvolvidas sobre o assunto destacando assim, a importância da história do cangaço a trajetória de vida de Lampião, Maria Bonita o seu bando e a sua atuação durante o período republicano.
Isto demonstra o quanto é necessária e importante um ensino de História diferenciado, que desperte o interesse dos alunos e os incentivem a questionar os conteúdos propostos em sala de aula, neste quesito acredito que em partes a nossa oficina pode oferecer este suporte aos alunos colaborando desta maneira no processo de ensino/aprendizagem dos discentes. Esta discussão é de suma importância, pois, demonstra uma das responsabilidades de um (a) professor (a), que não se limita apenas à ação de educar, mas sim preparar e estimular os alunos a construir um novo olhar sobre determinados conteúdos históricos estudados. Conforme Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mais criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1997, p.25), a partir desta concepção de Freire pode-se afirmar que a realização de oficinas, mini-cursos ou qualquer outra atividade de cunho educativo pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de um ensino de história que ofereça novas possibilidades de estudo aos alunos, e acredito que estas possam ser muito bem utilizadas em sala de aula pelos docentes.
Assim, a realização da oficina foi uma boa experiência, pois, tive oportunidade de ter contato com os alunos, de observar as suas necessidades e principalmente, de consegui em pouco tempo o respeito destes, os quais nos relataram que estavam satisfeitos com o resultado da oficina e que haviam gostado da experiência. Enfim, mesmo a oficina “Cultura popular do sertão nordestino: lendas e mitos da história do cangaço” tenha apresentado alguns momentos de dificuldades, foi possível cumprir o seu objetivo que era contribuir com o processo de aprendizagem dos alunos e, sobretudo incentivá-los a ter mais interesse pela disciplina História.
Gracilene Coelho
A realização da oficina de estágio intitulada de “Cultura Popular do Sertão Nordestino: Lendas e Mitos da História do Cangaço” foi uma experiência muito agradável. Através do mesmo, pode perceber a importância do ato de planejar na vida de um educador e o meu papel como educadora no processo de ensino – aprendizagem, adquirindo novas experiências a partir dos erros e acertos na elaboração e execução da oficina.
Durante o processo de elaboração da oficina, o nosso principal objetivo era analisar a História do Cangaço, através de um novo olhar historiográfico. Partindo do pressuposto que o Cangaço foi uma manifestação cultural popular do homem e mulher do sertão, portanto a principal preocupação da oficina foi realizar a discussão de alguns conceitos como: cultura, cultura popular, mitos, lendas, sertão, sertanejo entre outros. Com o intuito de analisar como tais conceitos estão representados na historiografia e presente no pensamento dos alunos.
Uma das propostas também da oficina, foi à produção de matérias didática a serem utilizados na sala de aula sobre a temática em estudo, demonstrando novas perspectivas de se compreender o ensino de história através da realização de novas maneiras de produzir e adquirir conhecimentos. Durante a oficina os alunos criaram jogos, paródias, história em quadrinhos demonstrando novas maneiras didáticas de se conhecer a história do Cangaço.
A oficina foi realizada em uma escola pública da rede municipal de ensino do município de Santo Antônio de Jesus, durante uma semana, com os alunos da 8ª série do Ensino Fundamental. Através da realização da oficina pode compreender que o planejamento ele deve ser flexível e adaptado de acordo a realidade do aluno. Portanto, posso concluir afirmando que a oficina foi de grande relevância para a minha vida acadêmica e como educadora.

“[...] está longe de ser um conceito bem definido pelas ciências humanas, [...] são muitos os seus significados e bastante heterogêneos e variáveis os eventos que essa expressão recobre”
(ARANTES, Antônio Augusto, 2004,p.7)
“ O termo “Cultura popular” dá uma falsa impressão de homogeneidade seria melhor usá-lo no plural, ou substituí-lo por uma expressão como a “cultura das classes populares”
(BURKE, Peter, 1989,p.235)
“ A cultura das classes dominantes e a das classes subalternas, existe um relacionamento circular feito de influências recíprocas, podendo mover-se de baixo para cima, bem como de cima para baixo. Para este relacionamento criou-se o termo “circularidade”
(GINZBURG, Carlos, 1987,p.16)
FONTE: NETO, PAULO CARVALHO. DICIONÁRIO DE TEÓRIA FOLCLÓRICA. GUATEMALA: EDITORA UNIVERSITÁRIA,SÃO PAULO, 1977.
LENDA DO SERTÃO NORDESTINO
VAQUEIRO VOADOR

RESUMO: Havia uma cidade pequena, porém muito bonita. Era um lugar próspero, de fazendeiros, de vida feliz e sossegada. Certa manhã, um bando de cangaceiros chegou de repente ao lugar. Foi um alvoroço. Num instante, a população desapareceu das ruas. As janelas se fecharam e as portas se trancaram. O chefe dos cangaceiros bateu na porta da casa mais rica da cidade. Como não tinha outro jeito, o dono da casa veio saber o que ele desejava. - Nós não queremos fazer mal a ninguém, disse o chefe dos cangaceiros. Estamos precisando de mantimentos e sabemos que aqui há bastante. O fazendeiro prometeu que conversaria com outros homens ricos do lugar, a fim de conseguir a quantidade que o cangaceiro desejava. O cangaceiro concordou em esperar até o dia seguinte. Porém o fazendeiro não cumpriu com a sua promessa e os cangaceiros acabaram levando um de seus filhos chamado de Lucídio. Seu outro filho chamado de Deodalto se tornou um grande vaquiero, sua fama correu por todas as regiões do sertão. Certo dia Deodalto teve um sonho onde um vaqueiro lhe confiava o seu cavalo mágico no qual não “ corria mais voava”. Devido as suas habilidades recebeu a proposta de seu pai para atacar o acampamento dos cangaceiros e para sua surpresa seu irmão era o chefe do bando, quando capturado por Deodalto , Lucídio conta a sua história e assim os dois virão o quanto eram parecidos e tinham vivenciado a mesma história. Como Lucídio jamais tinha assassinado alguém e também não era culpado por ser cangaceiro, foi perdoado pelos assaltos cometidos. Seu pai percebeu-lhe uma forte vocação para comandar e administrar e lhe entregou os destinos da fazenda. Administrada por ele e com um vaqueiro como Deodato, a fazenda tornou-se ainda mais importante. E, a cidade nunca mais foi atacada.
FONTE: Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). - São Paulo: APEL Editora, sem/data Dicionário do Folclore Brasileiro / Câmara Cascudo .- Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A. sem data.
MITO DO SERTÃO NORDESTINO
SERTÃO DO BOI SANTO

Vindo de Juazeiro, apareceu pelos sertões o beato Zebedeu. Preto, alto, muito esperto, conduzia um boi, tendo atrás penitentes, retirantes, mulheres e crianças. O boi era zebu e estava enfeitado de fitas e flores. Excitado e majestoso, igual a um Moisés caboclo, conduzindo seu povo, o beato preto avançava pelas caatingas, tangendo com sua vara santa o boi santo, já de fama afamado. Ao subir encostas, Zebedeu fazia parar seu bando, deitando falação ao povo: - Foi num tempo de seca barba; o verdor dos pastos havia desaparecido e eu fui dar a esse boi uma ração roubada dos pastos de meu padrinho Padre Cícero. Roubei o capim porque via que o meu boi sofria, mascando a língua com fome. Corri para furtar um capim mais mimoso, daqueles que só os veados comem, na manga particular do meu padrinho, a única, que nesse tempo tinha capim verde. De noite peguei um feixe e quando na manhã seguinte fui oferecer a ração ao boi, ele a recusou, batendo os cascos e balançando a cabeça. Parecia dizer que não comia capim roubado, ainda mais sendo dos pastos do seu dono. Desde então eu nas virtudes milagreiras desse boi acreditei... Assim a fama desse beato negro, Chamado Zebedeu com seu boi santo Mansinho espalhou-se pelos sertões de quatro Estados. Vieram mil romeiros, conduzindo cabras, jumentos, criações de pequena monta. Todos atrás dos milagres propagados. Colocaram o boi numa manjedoura, passando a adorá-lo como a um santo. O excremento do boi era vendido e dos seus chifres eram tirados lascas para se fazer chá. Do excremento do boi o povo dizia:- É remédio divino, remédio que cura ligeiro.Da sua urina, porções eram guardadas em garrafas, relíquia de valor, pela qual as mulheres brigavam, pedindo as garrafadas pelo "Santo Amor"...
FONTE: http://www.rosanevolpatto.trd.br/lenda1.htm
Outros CONTEÚDOS ABORDADOS
1- A República Velha: período de transformações políticas, econômicas, sociais e culturais no sertão nordestino.
2- Atuação dos cangaceiros, cangaceiras e coronéis na região do sertão nordestino, a partir de uma abordagem de gênero.
3- O surgimento e a formação dos mitos em torno do Cangaço.
COMO AS ATIVIDADES FORAM DESENVOLVIDAS
Vídeo a República Velha (Boris fausto)

EXIBIÇÃO DO FILME
BAILE PERFUMADO

RESUMO
Homem de confiança de Padre Cícero, o fotógrafo árabe Benjamin Abrahão, parte de Juazeiro, no Ceará, nos anos 30, para levantar recursos e filmar Lampião e seu bando. Graças à sua habilidade para estabelecer contatos, Benjamim localiza o cangaceiro e registra o cotidiano do grupo. O filme, no entanto, é proibido pela ditadura do governo de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo.
FICHA TÉCNICA
Titulo original: (Baile Perfumado)
Lançamento: 1997 (Brasil)
Direção: Paulo Caldas, Lírio Ferreira
Atores: Duda Mamberti, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Jofre Soares
Duração: 93 min
Gênero: Drama
A contribuição da Literatura de cordel para o ensino de história: Lampião, Maria Bonita e o seu Bando

CORDÉIS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES REALIZADAS




Análise das imagens de Lampião, Maria Bonita e o seu bando




LAMPIÂO, MARIA BONITA, SEU BANDO E O SERTÃO ATRAVÉS DA MÚSICA.
MÚSICAS ANALISADAS COM OS ALUNOS

















































